segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Resumo Cap. 7 - O sistema técnico atual - Roberta, Cândido e Lucas

O SISTEMA TÉCNICO ATUAL

INTRODUÇÃO

As características da sociedade e do espaço geográfico, em um dado momento de sua evolução, estão em relação com um determinado estado das técnicas. Desse modo, o conhecimento dos sistemas técnicos sucessivos é essencial para o entendimento das diversas formas históricas de estruturação, funcionamento e articulação dos territórios, desde os albores da historia até a época atual. Cada período é portador de um sentido, partilhado pelo espaço e pela sociedade, representativo da forma como a história realiza as promessas da técnica.

OS PERÍODOS TÉCNICOS

A evolução milenar das técnicas permitiu a J. Attali (1982) referir-se às técnicas do corpo, às técnicas das máquinas e às técnicas dos signos; e autorizou J. Rose (1974) a propor três grandes tempos: a revolução neolítica, a revolução industrial, a revolução cibernética. De modo diferente, Ortega y Gasset (1939) também identifica três momentos nessa evolução: a técnica do acaso, a técnica do artesão, a técnica do técnico ou do engenheiro. C. Mitcham (1991, pp. 62 -63) comenta esta última periodização, dizendo que na primeira fase não há um método para descobrir ou transmitir as técnicas utilizadas, na seguinte já há algumas técnicas conscientes transmitidas entre gerações por uma classe especial, a dos artesãos. Mas aqui há apenas "destreza e não ciência". É, apenas, na terceira fase que se instala esse "estudo consciente... a tecnologia, [...] com o desenvolvimento do modo ana lítico de pensar vinculado à ciência moderna". Heidegger simplifica a questão, propondo que se reconheça uma técnica dos antigos e uma técnica dos modernos, incluindo entre aqueles os dois primeiros momentos da classificação de Ortega (Mitcham, 1991, p. 74).
Olhando o processo evolutivo das técnicas, L. Mumford (1934) também propõe agrupá -las em três momentos: um primeiro, o das técnicas intuitivas que utilizam a água e o vento, vigente até cerca de
1750; um segundo, o das técnicas empíricas do ferro e do carvão, situado entre 1750 e 1900; e um terceiro, o das técnicas científicas da eletricidade e das ligas metálicas, iniciado em torno de 1900.
Uma história geral, mas simplificada, dos instrument os artificiais utilizados pelo homem, seria resumida em três palavras: a ferramenta, a máquina, o autómato. Suas definições revelam momentos decisivos na evolução das relações entre o homem, o mundo vivo, os materiais, as formas de energia. A ferramenta é movida pela força do homem, inteiramente sob o seu controle; a máquina, também controlada pelo homem, é um conjunto de ferramentas que exige uma energia não -humana; o autómato, capaz de responder às informações recebidas, nessas circunstâncias foge ao controle humano (Laloup & Nélis, 1962, p. 34 -36).
O papel que as técnicas alcançaram, através da máquina, na produção da história mundial, a partir da revolução industrial, faz desse momento um marco definitivo. É, também, um momento de grande aceleração, ponto de partida para transformações consideráveis.
As técnicas que proporcionaram e emergiram da Revolução Industrial trouxeram ao conhecimento da humanidade uma nova categoria. E uma dimensão na estratificação social, a princípio na Europa e, posteriormente, nos territórios pelo europeus invadidos.
A classe operária, o proletariado, recém surgido, modifica, redesenha a natureza do espaço. O darwinismo social e a ciência das raças inspiram ideologias que irão intervir não apenas no processo de divisão territorial do trabalho como moldarão concomitantemente, a formação étnica das categorias sócio-ocupacionais, mediante uma divisão social do trabalho.
Esse processo, que é próprio do modo capitalista de produção, concorre para a formatação da estrutura social perversa que temos. A globalização é resultado das técnicas informacionais. Nela, a competição foi substituída pela competitividade ... a diferença entre uma e outra é que a competitividade exclui a compaixão, produz um mundo perverso. A globalização produz um globalitarismo, que reproduz a própria globalização.
O humanismo deixou de ser ordenador do mundo. O ordenador do mundo hoje é o dinheiro mas, o dinheiro em estado puro. O dinheiro em estado puro só é ordenador da vida, por causa dessa geopolítica que se instalou, proposta pelos economistas e imposta pelas empresas de comunicação de massa, que se apropriam das técnicas informacionais.

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